Desde o nascimento da Família Betânia, temos compartilhado que uma Igreja local, em sua simplicidade, deve priorizar 2(duas) ações principais: PROCLAMAÇÃO e DISCIPULADO.
As ações de proclamação são direcionadas àqueles que não conhecem ou não foram afetados pela mensagem e poder transformador do Evangelho. Proclamar o Evangelho extrapola ações de evangelismo e adentra a vida cotidiana simples de que alguém que, por amar a Cristo e Sua Palavra, revela Seu amor, caráter e valores em tudo quanto faz! Acerca do discipulado, entendemos que é o meio de cooperar com a obra do Espírito Santo para formar a vida de Cristo nos irmãos que caminham ao nosso lado.
Nossos cultos, encontros, ministrações, visitas e outras ações devem sempre apontar para essas duas ações essenciais: PROCLAMAÇÃO & DISCIPULADO. Por isso não seremos uma igreja com tantos “ministérios” e de agenda lotada, mas dedicaremos nossos recursos (tempo, energia, dinheiro e voluntariedade) nessas duas ações. O alvo é levar as pessoas em direção a um viver santo e ao conhecimento de Deus:
Portanto, proclamamos a Cristo, advertindo a todos e ensinando a cada um com toda a sabedoria, para apresentá-los maduros em Cristo.
Por isso cremos que para a saúde de uma igreja local, carecemos de 2(dois) pilares, reuniões públicas e encontros nos lares:
E todos os dias, no templo e de casa em casa, continuavam a ensinar e anunciar que Jesus é o Cristo.
Temos aqui 2(duas) coisas acontecendo. Em nossa casa de reuniões (de forma análoga ao templo), temos a igreja reunida, declarando coletivamente que reconhecemos a autoridade e governo do Cristo, realizando os sacramentos e repartindo a revelação que temos recebido de Cristo:
Portanto, qual a atitude correta, então? Ora, quando vos reunis, cada um de vós tem um salmo, ou uma mensagem de ensino, uma revelação, ou ainda uma palavra em determinada língua e outro tem a interpretação dessa língua. Tudo seja feito para a edificação da Igreja.
De casa em casa, vemos os irmãos vivendo a expressão da FAMÍLIA DE DEUS. Comem juntos, oram uns pelos outros, ouvem “para além das palavras”, podendo conhecer com profundidade o coração dos irmãos e saber seus desafios, lutas, dificuldades, bem como o quanto de Cristo também se revela por meio de cada um. Estamos nos reunindo para que o Supremo Pastor, Cristo Jesus, possa nos pastorear por meio de irmãos maduros e mais experimentados.
Encontro da Família
O Encontro da Família Betânia é o nosso culto público. Semanalmente nos encontramos em nossa casa de reuniões para, em família, celebrarmos a Deus, derramar nosso coração de terno amor pelo Pai e uns pelos outros e para examinarmos as Sagradas Escrituras. Em nossos momentos de ensino, priorizamos a abordagem expositiva das Escrituras, pois dessa forma cooperamos com os irmãos para que tenham uma perspectiva mais abrangente quanto aos relatos e princípios bíblicos que são apresentados.
A pregação expositiva é pregar estando a serviço da Palavra. Pressupõe a crença na autoridade das Escrituras. Um compromisso com a pregação expositiva é um compromisso em ouvir a Palavra de Deus, é não somente uma afirmação de que a Bíblia é a Palavra de Deus, mas também uma submissão de si mesmo à Palavra. Encarregar alguém da supervisão espiritual de uma igreja, alguém que não mostra, na prática, um compromisso de ouvir e ensinar a Palavra de Deus significa dificultar o crescimento da igreja, permitindo, em essência, que ela cresça somente ao nível do pastor. A igreja se conformará, lentamente, à mente do pastor, e não à de Deus. E o que desejamos, o que anelamos, como cristãos, são as palavras de Deus. Queremos ouvir e saber, em nossa alma, o que Ele tem dito.
Nosso compromisso deve ser de expor o conteúdo das Sagradas Escrituras com zelo, dedicação e devoção.
Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para nos ensinar o que é verdadeiro e para nos fazer perceber o que não está em ordem em nossa vida. Ela nos corrige quando erramos e nos ensina a fazer o que é certo.
De casa em casa
Reunir-se de casa em casa é tão essencial para a vida da Igreja quanto o partir do pão. Este ato, mais relevante em tempos onde o cristianismo se limita a frequentar cultos, reforça que a Igreja é uma família e que os lares são fundamentais para os encontros.
Abrir as casas demonstra a disposição de aprofundar os relacionamentos, rompendo com a superficialidade comum em muitos ambientes religiosos, e integrando os irmãos na vida uns dos outros. Por isso, a igreja promove uma liturgia simples e uma programação leve, permitindo que os membros tenham tempo para estar juntos.
Diferente de uma célula, seu objetivo não é a multiplicação ou discutir a pregação dominical, mas promover uma comunhão centrada em Cristo, onde os irmãos partilham o pão, oram e compartilham suas vidas para a edificação da Igreja.
As únicas práticas recomendadas nesses encontros são o partir do pão e as orações, pois a comunhão é nutrida por esses meios. Essas reuniões ocorrem mensal ou quinzenalmente em várias casas pela cidade, e todos os irmãos podem participar consultando os líderes da igreja.
“Quem abre a sua casa está treinando para abrir o coração!”
Reafirmamos que todos estamos debaixo da ação do Espírito Santo de Deus! Que sejamos cheios da vida de Cristo e possamos repartir com todos que estiverem em nossas casas!
Existem tipos diferentes de serviço, mas o Senhor a quem servimos é o mesmo. Deus trabalha de maneiras diferentes, mas é o mesmo Deus que opera em todos nós. A cada um de nós é concedida a manifestação do Espírito para o benefício de todos.
Encontro de Homens
O propósito desses encontros é cooperar com a obra do Espírito Santo em formar/desenvolver homens segundo a semelhança com Cristo. A verdadeira e genuína hombridade tem enormes implicações em como liderar nossas famílias. Como representantes ordenados por Deus para nossas esposas e filhos, devemos servi-los de modo piedoso e abnegado. A palavra pai implica que devemos ser imagens do Pai da glória, cujo brilho irradia plenamente em Seu Filho. Similarmente, se carregamos o título de marido, Deus nos chama para carregar a imagem de Cristo, que ama Sua noiva, a igreja, e deu Sua vida para torná-la santa. Devemos refletir todos os três aspectos do ofício de Cristo para nossa família em nossos lares.
Temos como referência o padrão de hombridade descrito em 1Tm 3 e Tt 2. Homens piedosos cooperam para formar outros homens igualmente piedosos.
Portanto, o bispo deve ter uma vida irrepreensível. Deve ser marido de uma só mulher, ter autocontrole, viver sabiamente e ter boa reputação. Deve ser hospitaleiro e apto a ensinar. Não deve beber vinho em excesso, nem ser violento. Antes, deve ser amável, pacífico e desapegado do dinheiro. Deve liderar bem a própria família e ter filhos que o respeitem e lhe obedeçam.
Os encontros dos homens ocorrem mensalmente, com ênfase no compartilhar das Escrituras e no repartir de lutas, desafios e alegrias a fim de que todos cooperem com o aperfeiçoamento dos santos.
À mesa com elas (Encontro de Mulheres)
Um dos maiores desafios da vida cristã é formarmos famílias que possam refletir a glória de Deus. Nas Sagradas Escrituras vemos a descrição de um padrão piedoso de mulher, aquela que teme ao Senhor, ama a sua família e contribui com bons conselhos a serem oferecidos a mulheres mais jovens.
Em uma igreja local sóbria e equilibrada vemos as mais diversas gerações de mulheres se relacionando, as mais jovens são desafiadas a amarem seus maridos e cuidarem de seus filhos e, as mais velhas enxergando os desafios dessas, tem a oportunidade de contribuírem com a sua sabedoria para sejam levadas à maturidade e toda a igreja seja abençoada.
O encontro de mulheres, denominado À mesa com elas, tem por objetivo proporcionar um ambiente regado a um temor a Deus para que, por meio do poder do Evangelho, mulheres tenham o seu coração transformado e regenerado.
A verdadeira e genuína feminilidade, segundo o plano de Deus, tem implicações profundas em como nutrimos nossas famílias e comunidades. Como auxiliadoras idôneas e representantes ordenadas por Deus em nossos lares, mulheres são chamadas a servir com piedade, sabedoria e abnegação.
Temos como referência o padrão de feminilidade descrito em Tito 2, norteando um modo reverente de viver. Mulheres piedosas cooperam para formar outras mulheres igualmente piedosas, fortalecendo a igreja e glorificando a Deus.
“Semelhantemente, ensine as mulheres mais velhas a viverem de maneira que honre a Deus. Não devem caluniar nem beber em excesso, mas devem ensinar o que é bom. Dessa forma, ensinarão as mulheres mais jovens a amar o marido e os filhos, a viver com sabedoria e pureza, a trabalhar no lar, a fazer o bem e a ser submissas ao marido, para que a palavra de Deus não seja desonrada.”
Os encontros de mulheres ocorrem bimestralmente, com ênfase no compartilhar das Escrituras, na edificação mútua e no suporte nas lutas, desafios e alegrias da vida, para que juntas cresçam na graça e no conhecimento de Cristo.
Encontro de Casais
Um entendimento adequado do amor bíblico é o fundamento sobre o qual a vida conjugal é construída. Entretanto, esse fundamento é apenas o primeiro passo. Se o amor bíblico é o fundamento, uma cosmovisão bíblica é a estrutura. É imperativo que nos preparemos para pensar biblicamente. Uma família sem uma cosmovisão bíblica é como um jogador sem tática. Ele pode ter habilidades espetaculares que lhe permitirão fazer ocasionais jogadas de cair o queixo, porém, muito mais vezes, estará no lugar errado e na hora errada e, pior, sem saber como chegou lá ou como voltar. As Escrituras nos admoestam:
"Ouça, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, o Senhor é único! Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de toda a sua força. Guarde sempre no coração as palavras que hoje eu lhe dou. Repita-as com frequência a seus filhos. Converse a respeito delas quando estiver em casa e quando estiver caminhando, quando se deitar e quando se levantar. Amarre-as às mãos e prenda-as à testa como lembrança. Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões.
Moisés viu a vida do lar como o principal sistema de transmissão da verdade de Deus, de geração em geração. No texto acima, ou em qualquer outro lugar da Bíblia, não existe nenhuma menção de pais abdicando, em favor de “profissionais treinados”, da responsabilidade de ensinar as verdades de Deus, de geração a geração. Isso não é o mesmo que dizer que os pais deveriam rejeitar ajuda. Devemos ser cuidadosos, não passando para outros a responsabilidade da instrução bíblica de nossos filhos.
Moisés deixa claro que fidelidade que passa de geração a geração é um processo para todo o dia e para todos os dias. Devemos ensinar nossos filhos em todo o tempo. Além disso, devemos sempre ensinar de acordo com os mandamentos de Deus. Pode parecer simples, mas é profundo. Se é verdade, então a Bíblia deve determinar o método e a maneira que usarei para treinar e discipular meus filhos. Não posso simplesmente usar os métodos culturais e humanistas seculares, e esperar colher resultados bíblicos.
Uma família orientada pela fé é mais que apenas uma família com um pai melhor. É uma renovação completa de estilo de vida e cosmovisão. Se cremos que Deus nos chama para adorá-lo sem rivais, construir nossos lares sobre a fundação do amor bíblico, adotar uma cosmovisão bíblica, ensinar a Palavra em nossos lares, marcar nossas casas como território de Deus e manter a prosperidade sob controle, então também devemos crer que Deus deseja que a igreja ajude e não atrapalhe as famílias nesse processo.
Os encontros de casais ocorrem bimestralmente, com ênfase no compartilhar das Escrituras com o objetivo de formar e fortalecer famílias para a Glória de Deus.
Discipulando Crianças
Instruir o coração da criança não é simplesmente transferir informação de pai para filho. É gravar a verdade no coração. Salomão nos dá esse tipo de instrução ao dizer:
“Filho meu, se o teu coração for sábio, alegrar-se-á também o meu; exultará o meu íntimo, quando os teus lábios falarem coisas retas. Não tenha o teu coração inveja dos pecadores; antes, no temor do SENHOR perseverarás todo dia. Porque deveras haverá bom futuro; não será frustrada a tua esperança. Ouve, filho meu, e sê sábio; guia retamente no caminho o teu coração”
Salomão apela ao coração de seu filho. A vida é uma sala de aula, isso é verdade. Ensino e aprendizagem estão em processamento vinte e quatro horas por dia. Aqui é onde mora o perigo.
Na ausência da instrução bíblica formativa, os instrutores da formação “anticristã” assumem o controle. Nossos corações são facilmente cativados pelas filosofias enganadoras e vazias de uma cultura ímpia. A maioria das culturas interpreta a vida com olhos não regenerados e promovem suas conclusões através de vários meios, que vão desde a propaganda até a educação. É como o ar que você respira; você o inspira sem perceber! E seus filhos também! A instrução formativa de nossa cultura anticristã é uma realidade assustadora. Como os pais podem competir com o mundo para ganhar a mente e o coração de seus filhos?
Nosso objetivo, ao ensinar os nossos filhos, não é somente garantir, através de algum método de criação de filhos socialmente aceito ou respeitável, que eles não sejam criminosos ou que “progridam na vida”. Em vez disso, nosso desejo é que eles amem o Senhor, seu Deus, com todo o coração, alma e mente. Por essa razão, a instrução formativa deve ter suas raízes nas Escrituras e não no que o médicos, educadores, psicólogos e pedagogos aconselham, ou no que as revistas para pais recomendam, ou mesmo no que o pediatra diz que devemos fazer. Devemos educar as crianças no caminho do Evangelho.
Temos um período de compartilhar as Escrituras com nossas crianças nos cultos públicos.
Enraizados
Os jovens cristãos são bombardeados por cosmovisões concorrentes com o Evangelho a todo momento. A cada clique na internet, a cada série na TV, a cada aula na faculdade, eles estão em guerra espiritual e intelectual. A máquina da propaganda moderna afirma “viva a diferença”, mas nas entrelinhas pode-se ler “enquanto não for diferente do que pensamos.” Ironicamente, elas desafiam os jovens a serem diferentes enquanto buscam conformá-los a uma subcultura que se expressa por suas mercadorias de produção em massa. “Seja diferente, use nossos produtos (como milhões de outros jovens)”. “Diferença” no mundo é um conformismo a novos moldes. Precisamos preparar o adolescente e o jovem para o que enfrentarão, preparando-lhes para o desafio apologético e evangelístico que está à frente. Só que esse não é um problema tão novo. Paulo, há quase dois milênios alertou os cristãos de Roma para que eles não vivessem “conforme os padrões deste mundo”, mas que deixassem “que Deus os transforme pela renovação da mente”. Só dessa forma poderiam viver experimentalmente “a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2, NAA).
Hoje o chamado continua, o mundo continua a tentar moldar nosso pensamento e nós somos continuamente chamados a rejeitar os padrões do mundo e sermos transformados por Deus, sua Palavra e seu Evangelho. Mais do que ter uma divisão entre o sagrado e o profano, entre o que aprendemos na igreja e o que aprendemos na academia, é enxergar todas as coisas pela perspectiva dos olhos de Deus, ler todas as linhas pela compreensão da Escritura. É ter uma visão de mundo, uma cosmovisão genuinamente cristã, bíblica e evangélica (no melhor sentido do termo) pela qual podemos analisar todas as coisas. Como C. S. Lewis bem expressou: “Creio no cristianismo assim como creio que o Sol nasceu, não apenas porque eu o vejo, mas porque por meio dele eu vejo tudo mais.”
Somos testemunhas em um mundo cético para com Deus e, como tais, devemos nos portar como apologetas, defensores da verdade revelada. O apóstolo Pedro escreveu que deveríamos estar “sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor” (1 Pe 3.15-16).
Texto da Intro à Família Betânia.